Com o lema “yes we can” (sim nós podemos) Barack Obama tomou posse, no passado dia 20, como Presidente dos EUA.
Obama entra com um ciclo económico desfavorável e herda de George W. Bush um país com um défice orçamental de alguns biliões, um país com um fosso crescente entre pobres e ricos, um país onde “estalou” a grave crise financeira e do sub prime que alastrou ao mundo, um país desacreditado e bastante dividido quanto à questão do Iraque.
Ao contrário, oito anos antes, Bush entrou com um ciclo económico favorável e herdou de Bill Clinton um país com um super havit orçamental de alguns biliões, um país com boas e justas políticas sociais e um país respeitado e respeitável. Em oito anos como pôde tudo mudar?
Em regime simplificado, este poderia ser o ponto de partida.
W. é um filme de Oliver Stone, um prestigiado e controverso realizador de Hollywood que já produziu, antes, dois filmes sobre Presidentes dos Estados Unidos – JFK (um excelente filme e dos meus favoritos) e Nixon.
W. estreou em Outubro passado e retrata a vida de George W. Bush, interpretado por Josh Brolin. Não se trata de um filme de ataque serrado a Bush, mas onde ficamos a conhecer o seu lado menos conhecido. Como disse Stone, ficamos a saber “como é que Bush, um alcoólico irresponsável, se transformou no homem mais poderoso do mundo, mas também falar dos demónios da sua vida privada, dos confrontos com o pai e da sua conversão ao cristianismo, o que explica muita coisa sobre de onde ele vem”.
Começamos por ver um Bush jovem que entra para a universidade, mas que não a acaba, e com graves problemas de alcoolismo. Percebe-se desde logo que tem várias desavenças com o pai, ficando-se a saber que o preferido de “Bush pai” para vincar na política era o filho Jeb e que nunca pensou que o filho George W. chegasse a Presidente ou que fosse alguém na vida. Fica-se também a perceber a conversão de Bush e um certo fanatismo religioso (ele sente-se de uma certa maneira “iluminado” e pré-destinado a fazer o que tem que fazer) assim como se percebe o seu desejo de derrubar Sadam Hussein a qualquer pretexto, mal chegou à presidência.
Incontornável é a influência, ilustrada pelo filme, que o vice-presidente Dick Cheney (interpretado por Richard Dreyfuss) tem sobre Bush, assim como a influência do petróleo na decisão da invasão do Iraque, bem patente na cena em que numa reunião no gabinete de crise, Cheney mostra um mapa com os vário poços de petróleo existentes no Médio Oriente, e que controlando o Iraque, os EUA controlariam o petróleo mundial.
Como não podia deixar de ser vêem-se também as já celebres gaffes de Bush, como numa cena em que numa conferência de imprensa um jornalista lhe faz uma pergunta e Bush embaraçado diz-lhe que teria sido mais fácil se ele antes tivesse enviado a pergunta por escrito.W. não é um filme que agarra o espectador ao ecrã, mas que é interessante de ver e que ajuda a interpretar aquilo que o mundo é em 2009.
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