António Mendonça
18/04/1932 - 01/04/2007
Há um ano atrás fiquei mais pobre. Perdi a presença física de um amigo, de uma referência, com quem convivi toda a minha vida.
Digo, perdi a presença física, pois o Sr. António, apesar de não estar presente, permanecerá sempre vivo na minha memória. Ficam as saudades das conversas, de algumas viagens, dos conselhos, em suma da sua sincera amizade.
Era um Homem respeitado e respeitável, amigo do seu amigo, fraterno, solidário, sempre interessado pelo mundo, sempre com eterno espírito jovem.
Infelizmente, há um ano atrás o corpo não correspondeu ao espírito jovem e cedeu. Custou a despedida, ainda hoje custa ao escrever estas palavras. Não houve tempo para dizer adeus, para dar um último abraço. Lembro-me que no domingo à tarde à beira da sua cama no hospital, lhe disse até amanhã e que continuava a contar com a presença dele em Maio na bênção das pastas. Embora estando em coma, tinha esperança que conseguisse ouvir…
Quem sabe um dia nos voltemos a encontrar no “Oriente Eterno”, como dizem os maçons.
Em 1997, quando tinha a mania que era poeta, dediquei-lhe um poema que lhe ofereci. Agradeceu-me as palavras, mas disse que não as merecia. Para quem realmente o conheceu e conviveu com ele sabe que as merecia, que merecia muitas mais e melhores.
Aqui deixo o poema numa singela homenagem:
Sr. António Mendonça
Pessoa respeitada,
Honesta e sincera.
Pessoa de grande experiência
Que viveu e ganhou a vida.
A vida que fez dele uma pessoa culta.
Cultura que ganhou na leitura,
Na convivência social e na amizade.
Amizade que conquistou e conquista pessoas,
Que junto dele ganham experiência.
Os conselhos que dá ajudam as pessoas.
Ouço-os com atenção
Pois são palavras sábias que eu sigo atentamente.
Não é humanista, mas podia ser.
Não é intelectual, mas podia ser.
Não é político, mas podia ser.
É uma pessoa amiga
Que eu respeito e admiro.
Resta-me dizer: Até sempre!